terça-feira, 15 de julho de 2008

SITES INTERESSANTES

http://www.atarde.com.br/economia/noticia.jsf?id=909454
http://www.multiplan.com.br/ para o site do G MArcas


Sites para o Manual do Colaborador

http://www.giornale.com.br/principal/ShowPortfolio.asp?var_chavereg=3
http://www.fabricasoft.com.br/index_interno.php?secao=empresa


Empresas de comunicaçao
http://www.giornale.com.br

http://www.estilocom.com.br/d010604.htm
Assessoria de Comunicação - BarraShoppingSul
Estilo Comunicação Álvaro Bueno – alvaro@estilocom.com.br51.3330-9236

REFERÊNCIA DE SITE

Site da TECNISA
Modelos de apresentação de trabalhos

http://www.tecnisa.com.br/atecnisa/academicos/index.aspx?pg=2

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Como escrever uma resenha

http://www.ucb.br/prg/comsocial/cceh/normas_organinfo_resumo_critico.htm


Este é, provavelmente, o tipo de resumo que você mais terá de fazer a pedido de seus professores ao longo do seu curso. O resumo crítico é uma redação técnica que avalia de forma sintética a importância de uma obra científica ou literária.
Quando um resumo crítico é escrito para ser publicado em revistas especializadas, é chamado de Resenha. Ocorre que, por costume, os professores tendem a chamar de resenha o resumo crítico elaborado pelos estudantes como exercício didático. A rigor, você só escreverá uma resenha no dia em que seu resumo crítico for publicado em uma revista. Até lá, o que você faz é um resumo crítico.
Mas não deixam de estar certos os professores que dizem que resenha não é resumo. A resenha (ou resumo crítico) não é apenas uma resumo informativo ou indicativo. A resenha pede um elemento importante de interpretação de texto. Você só fará uma boa resenha se tiver lido um texto ao menos até a quarta etapa (link para “leitura do texto científico”) de leitura, na classificação sugerida por Antônio Severino.
Por isso, antes de começar a escrever seu resumo crítico você deve se certificar de ter feito uma boa leitura do texto, identificando:
1. qual o tema tratado pelo autor?
2. qual o problema que ele coloca?
3. qual a posição defendida pelo autor com relação a este problema?
4. quais os argumentos centrais e complementares utilizados pelo autor para defender sua posição?

Uma vez tendo identificado todos estes pontos, que devem estar retratados no seu esquema do texto [link para esquema], você já tem material para escrever metade do seu resumo crítico. Este material já é suficiente para fazer um resumo informativo, mas, para um resumo crítico, falta a crítica, ou seja, a sua análise sobre o texto. E o que é esta análise? A análise é, em síntese, a capacidade de relacionar os elementos do texto lido com outros textos, autores e idéias sobre o tema em questão, contextualizando o texto que está sendo analisado. Para fazer a análise, portanto, certifique-se de ter:
- informações sobre o autor, suas outras obras e sua relação com outros autores
- elementos para contribuir para um debate acerca do tema em questão
- condições de escrever um texto coerente e com organicidade
A partir daí você pode escrever um texto que, em linhas gerais, dece apresentar:
- nos parágrafos iniciais, uma introdução à obra resenhada, apresentando
- o assunto/ tema
- o problema elaborado pelo autor
- e a posição do autor diante deste problema
- no desenvolvimento, a apresentação do conteúdo da obra, enfatizando:
- as idéias centrais do texto
- os argumentos e idéias secundárias
- por fim, uma conclusão apresentado sua crítica pessoal, ou seja:
- uma avaliação das idéias do autor frente a outros textos e autores
- uma avaliação da qualidade do texto, quanto à sua coerência, validade, originalidade, profundidade, alcance, etc.

É bom lembrar que estes passos não são uma norma rígida. Esta é a estrutura usual de resenhas, mas como a resenha é um texto escrito para publicação em revistas especializadas, cada revista cria suas próprias regras. Questões como onde escrever o nome do resenhista (se abaixo do título, no final, a quantos centímetros da margem), quantos parágrafos utilizar, o número mínimo e máximo de linhas, a utilização de tópicos e subtítulos, etc., tudo isso é definido pela revista que for publicar a resenha. Por isso, sempre que um professor pedir para você fazer uma “resenha” (um resumo crítico, já que não será publicado) você deve pedir que ele lhe dê este parâmetros. Se o professor não se pronunciar, sinta-se livre para decidir como apresentar a resenha, desde que respeitando a estrutura geral apresentada aqui e as normas de bom senso para redação de trabalhos acadêmicos [link para apresentação do trabalho acadêmico].

TV Digital e Interatividade

Informações

- televisão a qualquer hora, a qualquer lugar
- produção de conteúdos televisivos por qualquer pessoa
- aumenta a qualidade no sinal e percepção da imagem, mas o conteúdo, ao ser produzido por qq pessoa, perderá a qualidade, podendo tornar-se banal.
- facilidades da Internet para a televisão
- interação do telespectador, participação



Livros lidos:

Os exercícios do ver: hegemonia audiovisual e ficção televisiva / Jesus Martín-Barbero, German Rey; tradução de Jacob Gorender. – São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2001.


A significação social das mídias está mudando. Junto com sua capacidade de representar o social e construir a atualidade, persiste sua função socializadora e de formação das culturas políticas. Entrelaçadas com a história das sociedades modernas, as mídias, além de “mostrar” como vão ocorrendo as mudanças, as acompanham. (p.73)


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ECOS REVISTA.Pelotas: Universidade Católica de Pelotas; EDUCAT, V.10, Nº1, jan. - . jun./2006


USABILIDADE E ENTRETENIMENTO NA TV DIGITAL INTERATIVA
Autor: Lauro Teixeira



“A TV Digital Interativa surge em alguns países da América Latina como promessa de inclusão digital e democratização da mídia”. (p.183)

Neste cenário, a usabilidade que já ganha espaço no design de interfaces para Internet, tornando “fácil e intuitivo” o consumo de conteúdo interativo por parte do usuário, tende a ser usada pelos grandes grupos da mídia como ferramenta de fidelização. (p.183)

Interatividade

Os canais de interatividade, principalmente as interfaces com as quais lidamos nascem de uma necessidade humana de comunicação e da construção de intercâmbio do conhecimento” (p.185)

“Em seu sentido mais simples, a palavra (interface) se refere a softwares que dão forma à interação entre usuário e computador. A interface atua como uma espécie de tradutor, mediando entre as duas partes, tornando uma sensível a outra (...) Para que a mágica da revolução digital ocorra, um computador deve também representar-se a si mesmo ao usuário, numa linguagem que este compreenda.” (JOHNSON, 2001, p.17) - autor citando outro autor (p.185)


Usabilidade

Para que uma interface se torne realmente útil “ao maior número possível de pessoas” dentro do segmento a ser atingido, a usabilidade diz que ela deve ser fácil de usar, deve ser intuitiva ao mesmo tempo em que não perca sua eficiência funcional. (p.187)


Entretenimento no Audiovisual Interativo

Conhecemos por usuários, aqueles que se beneficiam da usabilidade. Necessariamente, aquelas pessoas que utilizam algum tipo de serviço proveniente de um sistema de informação. Os que antes eram chamados de espectadores, no contexto de cibercultura passam a ser chamados de usuários, independentemente do nível de participação (interatividade) que exercem com o meio. Mesmo na TV tradicional somos usuários. (p.191)


Usabilidade para o Entretenimento

A TV Interativa está causando uma revolução no mundo todo por causa doseu poder de feedback. (p.193)

A transmissão digital promete igualar a qualidade do sinal a ser transmitido por várias emissoras e com isso aumentar o número de canais, inclusive com a viabilização de canais comunitários e educativos (...) (p.193)

A TV Digital Interativa, que ainda não temos abertamente no Brasil, é entendida no mundo basicamente de três maneiras:

- TV Expandida: onde a interatividade é necessariamente ligada ao conteúdo televisivo. O usuário visualiza informações a respeito do programa, participa de promoções, responde a enquetes, baixa aplicativos como games e rigtones, troca legenda ou áudio (idioma) dos filmes, etc;

- Serviços: onde o aparelho receptor de TV se comporta como um terminal de acesso à web. O usuário manda e-mails, mensagens de celular, acessa a conta bancária, previsão do tempo, horóscopo, etc.;

- Navegação: este último diz respeito à arquitetura de informação do canal ou servidor de canais. Refere-se ao modo como os usuários irão se relacionar com os objetos de interatividade como menus, guias de navegação, programação do canal, etc. (p.197)



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Comunicação & Sociedade / Programa de Pós-graduação em Comunicação Social; Universidade Metodista de São Paulo. – Ano 29, nº 48, 2 semestre de 2007. São Bernardo do Campo: Umesp


Contextualizando a TV digital
Sebastião Squirra



(...) os recursos que estarão embutidos na TV digital permitirão assistir ao que se quer, onde e como se desejar, agrupando estilos de programação ao desejo de composição do telespectador, uma vês que a tecnologia permitirá que o usuário monte sua grade individual de programação e, ainda melhor, com a eliminação dos comerciais. (p.19)

(...) o poder migra para o indivíduo, para o consumidor, para o telespectador. E isto não é pouco: representa, de fato, o rompimento do modelo sólido de comando implantado várias décadas atrás e que garantiu ás emissoras o poder da programação, da definição do que todos devem assistir, em suas formas, conteúdos e horários. (p.19)




A televisão digital no Brasil: do sonho à realidade
André Barbosa Filho


A TV digital integra usos e funções de comunicação procedentes de outros meios; ou ao menos as possibilidades de comunicação presentes em outros meios. (p.34)


A TV digital vai oferecer à população brasileira uma melhoria significativa na qualidade de imagem em definição padrão (igual ou superior à de DVD), alta definição (imagem semelhante à do cinema com som estéreo), acesso a serviços via controle remoto da TV (comunicação direta com órgãos do governo, acesso às consultas no Sistema Único de Saúde, verificação de dados da Previdência, programas de educação a distância, etc) e alta qualidade técnica nas transmissões (sem “chuvisco”, “fantasmas” ou interferências). (p.35)




Convergência tecnológica e a interatividade na televisão
Valdecir Becker



A tecnologia digital permite o tráfego de informação entre mídias diferentes, ou entre diferentes redes de comunicação, como radiodifusão e telecomunicações. (p.66)

“Uma implicação importante é que muitos formatos híbridos de mídia, combinando áudio, vídeo, texto e imagem, devem emergir, ofuscando totalmente a antiga distinção entre rádio, televisão, imprensa e telefone” (Straubhaar e Larose, 2004, p. 14) – autor citando outro autor (p.66)

Imagens, áudio e texto não apenas trafegam juntos, mas se complementam. O conteúdo é multimídia. (p.67)

Como principais vantagens da transmissão digital, podemos citar: a melhoria significativa na qualidade da imagem e do som, menor potência necessária para realizar a transmissão e melhor uso do espectro de freqüência utilizado palas emissoras. (p.68)

Straubhaar e Larose (2004) separam a interatividade em dois campos: um baseado na abordagem humana e outro na composição da mensagem. Segundo eles, para um sistema de informação ser interativo “deve ser capaz de convencer usuários de que estão interagindo com umser humano, não com uma máquina”. (p.71) - autor citando outro autor


A tecnologia permite que o telespectador tenha um papel ativo diante da televisão, deixando apenas de receber informações já prontas para se tornar em um potencial emissor de informação. (p.72)

Para Marcelo Souto Maior, o principal desafio da TV interativa é “mudar os hábitos de usuários passivos, como são os telespectadores, para que se tornem participoativos” (Souto Maior, 2002, p.1) (p.72)


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Apropriação de conteúdos e cidadania comunicativa
Gino Giacomini Filho
Mônica Pegurer Caprino


A apropriação de conteúdos na comunicação é o processo pelo qual o receptor capta e dá algum novo sentido à mensagem recebida, podendo inclusive alterá-la ou reprocessá-la para que ele mesmo ou outros a possam utilizar. Tal processo imbrica-se com o conceito de “interatividade”, que incrementou sobremaneira o modelo comunicacional que previa as reações do receptor (resposta, retorno, feedback) diante do emissor. (p.100)

domingo, 4 de maio de 2008

OPINIÃO PÚBLICA

A opinião pública:
- precisa ser coletiva
- exige que as ipiniões individuais sejam expressas
- não são consenso - exige contradições
- não é a soma das opiniões
- precisa que as pessoas tenham informação para comentá-la
- transforma-se constantemente, pois a cada nova informação, há novas opiniões
- fomenta discussão diante do assunto
- não é necessariamente a opinião da maioria
Se todos pensam a mesma coisa, se torna uma crença, deixa de ser opinião pública. Pressupõe debate público em que sujeitos se põem diante de outros apresentanto posições, ouvindo as posições deles e a elas retrucando.
É o repertório comum de posições e juízoz públicos, a respeito das coisas, pessoas, fatos e questões. Não é simplesmente o sujeito coletivo de opiniões, mas o sujeito coletivo capaz de manifestar decisões.

11 HIPÓTESES

Livro: Controle da Opinião Pública
Nilson Lage
1ª Hipótese:
O objetivo do controle da opinião pública é preservar estado de coisas em benefício de um sistema de poder.
O controle exercido através dos veículos de informação pública é mais ágil e reage às mudanças de conjuntura (ocasião), indicando como verdadeiras as perspectivas momentaneamente conveniente aos núcleos de poder.
2ª Hipótese:
O controle da opinião pública jamais é absoluto numa sociedade.
Nas sociedades modernas são pautadas por uma pluralidade de interesses e, por mais amplo que seja o mecanismo de controle de opinião, não atingirá com a intensidade necessária todos os indivíduos.
3ª Hipótese:
Os sistemas de poder modernos baseados na produção de conhecimento beneficiam-se da veiculação controlada de informação divergente. É indispensável certa contradição na informação para que o sistema funcione.
A existência de informação divergente é necessária à produção de conhecimento. Pois o próprio aprendizado consiste em analisar as versões e a consideração de hipóteses para se chegar a uma conclusão.
4ª Hipótese:
O controle da opinião pública fundamenta-se na:
a) restrição de versões inconsistentes com o estado de coisas pretendido
b) imposição de versões consistentes com o estado de coisas pretendido
a) refere-se à censura (impedimento de enunciar, seja de que origem)
b) refere-se à divulgação (organização dos meios de informação, construção de narrativas)
5ª Hipótese:
Fatos que contrariam versões dominantes de interesse do sistema de poder podem ser desqualificados como fenômenos inexplicáveis ou ainda remetidos a especialistas.
A informação correta sobre o significado de um acontecimento fica restrita aos estudiosos que acompanham o evento, não necessariamente é divulgado.
6ª Hipótese:
O controle da opinião pública nas sociedades modernas fundamenta-se no domínio estatístico dos meios de informação pública, aferido pelas pesquisas de opinião.
Sendo que (o controle da opinião na sociedade moderna nunca é total) e que (o sistema de poder beneficia-se de certo grau, minoritário, de opinião divergente), então toda dominação é estatística.
O desenvolvimento de métodos avançados e confiáveis de pesquisa de opinião viabilizam o acompanhamento do processo de modo a permitir correções no pergurso.
7ª Hipótese:
Restrições à opinião divergente e imposição de versões são tão mais rigorosas e intensas quanto maior a abrangência do veículo e seu poder de gerar reações de empatia. Os veículos menos controlados são os de informação técnica destinados a especialistas e aqueles de informação geral que se destinam às elites sociais.

O controle de opinião pública é menor sobre artigos em linguagem forma nos diários do que nos textos mais acessíveis das páginas de atualidades; nos jornais destinados a frações da elite do que nos diários populares.
8ª Hipótese:
O controle de opinião pública é tão menos percebido quanto mais diversificados os mecanismos controladores e tão melhor expressam interesses particulares, ditos legítimos.
A diluição do controle de opinião pública entre organizações financeiras, empresas, grupos de pressão e autoridades divide as responsabilidades e se torna menos perceptível pelo público.
9ª Hipótese:
O controle da opinião pública pode ser conseguido pela
a) restrição a versões divergentes ou imposição de versões convenientes aos produtores de informação pública
b) cooptação ou adesão voluntária dos mesmos produtores
c) combinação dos macanismos anteriores
Suponhamos um publicitário que nada tenha contra o nu, por achar que a exibição do corpo humano em nada agride a moral: ainda assim, deverá se conformar com limitações à nudez na produção de seus anúncios.
10ª Hipótese:
Atualmente, é dita ilegítima qualquer atividade de controle de opinião pública que se realize independentemente da ordenação econômica e fora do enquadramento em "leis de mercado"; e legítima qualquer atividade de controle de opinião pública que se apóie na ordem econômica e se enquadre em "leis de mercado".
Ex: uma revenda de carros se destina avender alguns segmentos de carros, não qualquer marca. No entanto, dificilmente veicularia informação sobre fabricação de carros menos velozes, porque isso "afetaria negativamente o mercdo".
11ª Hipótese:
O controle de opinião exerce-se sobre versões, não sobre fatos. Essas versões permitem construir cenários convenientes do resente e do futuro.
Fatos relevantes não devem ser omitidos porque existem independentemente do conhecimento que se tenha deles. Por isso é extremamente importante, para os mecanismos de controle, não diferenciarem os fatos (ocorridos) das versões (atribuição de sentido, causa, relação entre fatos). É a partir disso que o sistema controlador pode afirmar que não mente e que admite mesmo o que o contraría.

sábado, 3 de maio de 2008

IMAGEM PÚBLICA

Livro: Comunicação e Política (Antonio Albino) - capítulo Imagem Pública
Maria Helena Weber
A imagem pública é construída entre certezas e dúvidas do espectador em relação Pa informação e seu autor. A constituição da imagem pública é mantida como fator vital à visibilidade e reconhecimento de instituições e sujeitos da política. São imagens geradas na esfera da "política estetizada", onde sujeitos e onstituições se comparam e são comparados.
Os discursos da política serão sempre persuasivos, sustentados por argumentação. A política mostra partes convenientes esperando produzir apoio, votos e opinião. A imagem pública dos sujeitos políticos vai sendo formada individual e simultaneamente a partir da combinação das representações visuais e das representações mentais.
A visibilidade política se dá através das mídias (suportes de fabricação e difusão das imagens). A importância da sua veiculação depende do lugar ocupado pelo político e do grau de responsabilidade social.
AÇÕES DE INSTITUIÇÕES E SUJEITOS POLÍTICOS = INFORMAÇÃO DE INTERESSE PÚBLICO = PARTICIPAÇÃO DA MÍDIA = REPERCUÇÃO PÚBLICA
As informações e ações de instituições e sujeitos públicos, sendo públicas, são informações de interesse público. A repercução é pública, é desencadeada pelas mídias, adversários, grupos sociais, indivíduos, através da veiculação de suas opiniões e imagens sobre a ação do sujeito político.
Tudo se dirige ao espectador, sujeito principal do processo de formação da imagem. A credibilidade depende da legitimidade de quem fala, do seu lugar de fala, do poder que lhe foi atribuído e da imagem sobre esta legitimidade, construída estrategicamente.
Política especular
A busca de uma visibilidade norteia o poder da comunicação. A imagem é sempre intermediada. Todos os sujeitos políticos cobiçam a aprovação pública.
A intervenção contínua de redes de comunicação midiática mantém a visibilidade política (o espetáculo).
A imagem pública é uma estratégia de visibilidade de resultados. Cada instituição e sujeito político mantém um sistema estratégico com objetivo de conquistar a produzir opiniões públicas e privadas, apoio, adesões e votos.
A política de imagem é um fenômeno que transforma a arena política numa competição pela produção de imagens dos atores políticos, pelo controle de modo de sua circulação na esfera pública, pelo seu gerenciamento nos media e pela sua conversão em imagem pública.
A persuasão política depende menos da argumentação do que daquilo que é manifestado espetacularmente e se faz pela difusão cotidiana de imagens onde o pder passa a dispor das aparências.
O modo depordução de imagens políticas modificou o modo de fazer política.
Máscaras públicas
A associação entre política e imagem traz à tona a idéia do carisma weberiano. As relações entre poderes políticos, econômicos e midiáticos, assim como a celebração da aparência, reduziram o carisma à capacidade de convencimento.
Como homem detentor de alguma verdade e habilitado a exercer o poder da representação, o homem político é um homem de honra que se torna vulnerável às suspeitas, calúnias e escândalos. A pessoa individual anula-se em proveito de uma pessoa moral ou daquilo que é representado.
Lapidar a imagem píblica é necessidade de quem busca aprovação e repercução e está entre duas realidades: a auto-imagem e a imagem desejada; a outra, a imagem percebida (que será avaliada pelas pesquisas).
Todas as imagens são fabricadas. A imagem pública começa a ser construída nas informações persuasivas emitidas pelos sujeitos públicos a respeito de seus projetos e suas necessidades, na forma de "imagem desejada". Termina de ser construída por aqueles que a recebem - o resultado é a imagem percebida.
Todas as instituições e sujeitos que disputam os espaços públicos e votos são vulneráveis a julgamentos, curiosidades, expectativas e, portanto, passíveis de formação de opiniões, imagens e dúvidas.
Sujeitos e instituições que disputam espaços e representação pública têm sua imagem mantida através de mediações (comunicação direta com seus públicos) e midiatizações (comunicações atravessadas pelas mídias).
IDENTIDADE DA INSTITUIÇÃO E DO SUJEITO QUE DESEJAM UMA IMAGEM
Não se constrói uma identidade: é possível, sim, fortalecer ou obscurecer determinados aspectos.
Para obter uma imagem pública favorável, cada objetivo será pensado como ação estratégica entre o político e o público-alvo. O objetivo é evidenciar suas diferenças e qualidades em relação so outro partido/candidato.
Mesmo planejada estrategicamente, a circulação de discursos e imagens foge ao controle do emissor e dependem da mídia que tem o poder de tornar visível e ocultar verdades e realidades. A adoção de um sujeito ou instituição pelas mídias traz resultados e provoca a opinião pública.
Dessa forma, o tempo da política é determinado pelo tempo midiático. A versão também depende da mídia, que divulga conforme seu ponto de vista ou dos seus patrocinadores.
As mídias organizam e hierarquizam as informações e imagens. A primeira página, programas de debates, o tempo e o espaço destinados irão influenciar a formação das opiniões. O aprofundamento da questão, as grandes reportagens e coberturas dependerá das vinculações políticas da empresa e de seus interesses mercadológicos.
Os sujeitos políticos têm sua qualidade aferida pela opinião pesquisada e a valoração obtida junto às mídias. Cada vez mais as atitudes políticas são justificadas pelo índice percentual obtido em pesquisa.
(DES) CONSTRUÇÃO DA IMAGEM PÚBLICA
Quem disputa o oder pretende controlar o modo de ver e o de ser visto. Utilizam a persuasão no discurso para capturar a mídia, que reproduzirá e para capturar o indivíduo, que opinará. Tudo depende do conceito, da campanha, o qual será tornado visível para seduzir, para convencer, através de slogans, marcas visuais, eventos, material publicitário e informativo, ocupações de espaços na mídia. Além disso, contribuem para a constituição de imagens do sujeito político inúmeros fatores de ordem discursiva, combinados individualmente, qualificando a instituição positiva ou negativamente.
Sujeitos políticos dependem da imagem pública e as informações que a constituirão estão vinculadas à demarcação das diferenças, das qualidades do sujeito político em relação aos outros. Poderá ser próxima à imagem desejada quando forem acionados os especialistas e as técnicas de produção e circulação de mensagens estratégicas sobre seu projeto.
Poderá ser uma imagem distante da desejada quando as referenciais são produzidas em outros lugares, em redes de circulação de imagens, onde a disputa é permanente. Assim, a imagem formada sobre uma instituição ou sujeito político é um processo contínuo e alterado de construções e desconstruções.
É do olhar do espectador que sujeitos e instituições dependem para a formação de imagem e publicação de resultados. Trabalhar com a imagem pública significa entender que a sua construção se dá na mesma proporção de sua desconstrução.
A cobiça por uma imagem pública favorável sintetiza o movimento da política contemporânea, que faz da sua mediação indicador de qualidade, credibilidade, nas disputas de manutenção e conquista de poder.
A credibilidade da política está diretamente associada à credibilidade da mídia. Instituições e sujeitos políticos desejam ser adotados e defendidos pelas mídias para que possam capturar as opiniões.

O ESCÂNDALO COMO ACONTECIMENTO MIDIÁTICO

Livro: O Escândalo Político
O escândalo como acontecimento midiático
John B. Thompson
Com o desenvolvimento das sociedades modernas surgiu uma forma particular de escândalo, interligado às formas midiáticas de comunicação.
Quais as características desses escândalos midiáticos?
Características Escândalos localizados Esândalos midiáticos
Tipo de transgressão de primeira ordem primeira e segunda ordem
Tipo de publicidade publicidade de co-presença publicidade m idiática
Tipo de revelação comunicação face a face comunicação midiática
Modo de desaprovação comunicação face a face comunicação midiática
Base de evidência relativamente efêmera relativamente durável
Referencial localizado sem local
Hoje o escândalo se refere a ações que envolvem transgressões (infringir - desrespeitar) de certos valores, normas.
Escândalos locais
Escândalos locais ou midiáticos implicam alguma forma de transgressão, mas os localizados se referem a transgressões de primeira ordem (transgressões de calores que possuem certo grau de obrigatoriedade).
Os escândalos implicam em algum grau de conhecimento de não-participantes, portanto, são, necessariamente, casos públicos. Os localizados implicam publicidade de co-presença (acontecimentos que se desdobram nos locais da vida cotidiana, onde as pessoas interagem uma com as outras face a face). As pessoas envolvidas se conhecem e tomam conhecimento das ações através da fofoca, boato através da conversação.
Escândalos midiáticos
Implicam transgressões de primeira e segunda ordem (a medida que os escândalos se desdobram, as pessoas que se encontram no centro do acontecimento se tornam prisioneiras de um processo difícil de ser controlado).
Esses acontecimentos se desenrolam através das formas midiáticas de comunicação e adquirem uma publicidade que é independente de sua capacidade de ser vista ou ouvida. As ações ou acontecimentos se tornam visíveis aos outros que não estão presentes no tempo e local da ocorrência.
De que modo a ocorrência dos escândalos determina as características da comunicação midiática?
Toda ação acontece dentro de um referencial esécífico que envolve certas convenções e características do local. Um indivíduo agindo dentro desse referencial irá adaptar seu comportamento a tal referencial, procurando projetar sua auto-imagem com a imprewssão que ele deseja passar.
O referencial de ação e as características que são acentuadas pelos indivíduos agindo dentro dele são a "região frontal". As ações inapropriadas ou que podem desacreditar a imagem que a pessoa quer projetar são "regiões de fundo".
Indivíduos que queiram projetar certa imagem através da mídia podem descobrir que, apesar dos seus melhores esforços, é extremamente difícil controlar as formas de comportamento nas regiões de fundo onde elas se originam.
Os escândalos midiáticos são acontecimentos que envolvem o vazamento do comportamento de região de fundo para regiões frontais. Através das formas midiáticas de comunicação, se tornam visíveis a milhares de outros. Muitas vezes, os escândalos causam mais impacto não tanto pelo caráter da transgressão mas sim em relação às formas de comportamento da região de fundo que são inaceitáveis com as posições exercidas e com as imagens projetadas pelos indivíduos em questão.
Ex: um presidente ter o caso com sua secretária. Transar com a secretária não é tão impactante quanto o fato de o presidente "trair" sua mulher, desrespeitá-la. Ou seja, se faz isso com a própria mulher, o que é capaz de fazer para a nação?
Nos escândalos midiáticos as ações são reveladas por formas de comunicação midiática e chegam ao alcance de muitos não-participantes situados em contextos e localidades diferentes. Assim, a informação dada pela mídia é discutida pelas pessoas nas suas vidas cotidianas.
Quanto à desaprovação, os escândalos pressupõem atos de transgresssão que se tornam conhecidos dos outros juntamente com a desaprovação feita pelas pessoas. No caso dos escândalos midiáticos, as manchetes dos jornais, as críticas, caricaturas dos envolvidos... são o objeto de reprovação e desaprovação.
Como provedores de evidência, os meios de comunicação podem passar a ter um papel crucial. Eles fixam a informação: as palavras escritas no papel ou as falas registradas na fita são mais difíceis de serem negadas que palavras trocadas em uma interação face a face. A importância da evidência fixada em meios duráveis ajuda a explicar por que oescândalos podem ser incentivados pelos novos desenvolvimentos tecnológicos.
Dessa forma, a informação e o conteúdo simbólico podem ser transmitidos a outros que estão situados em locais diversos e distantes. As informações podem ser lidas e relidas, vistas e revistas. Assim, os escândalos localizados midiáticos podem se transformar rapidamente em acontecimentos nacionais ou globais.
A estrutura seqüencial dos escândalos midiáticos
Os escândalos midiáticos se desenrolam pelo tempo marcado pelo ritmo da mídia, pelos seus padrões de publicação e difusão.
Duram mais que um dia pois no primeiro dia as revelações aparecem na mídia, sendo apenas o início de um possível escândalo. Dependendo da maneira como os outros irão responder às revelações, como as respostas irão aparecer nos outros dias, semanas, sua repercução irá caracterizar o escândalo. Uma revelação inicial seguida por um silêncio não irá evoluir para um escândalo.
Mesmo assim, o escândalo midiático possui certo tempo, pois irá alcançar um ponto final (confissão, julgamento) ou irá definhar gradualmente à medida que o interesse público diminui e as mídias decidirem que ele não merece mais a atenção, destaque de antes.
Fases do escândalo midiático
Pré-escândalo: o escândalo midiático não começa com a transgressão em si mesma, mas com o ato da revelação que torna a transgressão ao conhecimento público. Apresenta fofoca, boatos e rumores entre os indivíduos que sabem algo sobre o ocorrido.
Escândalo: começa com a divulgação pública do acontecimento. Essa divulgação pode ser discreta (uma pequena nota no jornal), mas sua divulgação pode ser suficiente para desencadear uma seqüência de eventos que ganham corpo rapidamente e outras mídias se interessam pelo fato. Irá se concretizar ou não conforme os desdobramentos na mídia. Cada movimento dos envolvidos pode acarretar um movimento contrário, alegações podem produzir negativas, ameaças.
Clímax: novas divulgações e especulações podem aumentar a pressão sobre os envolvidos, pode levar a uma confissão, renúncia, demissão e também pode resultar no desaparecimento das acusações contra os indivíduos envolvidos e à dissipação do escândalo.
Conseqüências: o calor do escândalo passou, há uma reflexão sobre oas acontecimentos e as implicações, contar e recontar histórias sobre os acontecimentos. Cada comentarista conta da sua meneira, gerando uma multiplicidade de histórias que variam em detalhe e ênfase.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

O ESCÂNDALO POLÍTICO - Thompson

O Escândalo Político
Poder e visibilidade na era da mídia
John B. Thompson

A natureza do escândalo político

O que faz um escãndalo ser um escândalo político?

Definindo o escândalo político

Características específicas do escândalo político

Markovits e Silverstein- Um escândalo político é todo aquele que envolva um líder ou uma figura política,ser uma figurapolítica destacada (lider, aspirante a lider, funcionário eleito ou designado).

O indivíduo é uma figura política somente devido a um conjunto de relações sociais e instituições que lhe conferem o poder. Para compreender a natureza do escândalo político não basta se concentrar na figura, no lider apenas; deve-se considerar as relações e instituições sociais em virtude das quais é atribuído poder político a um indivíduo.

A característica essencial do escândalo político brota não do status dos individuos envolvidos, mas da natureza da transgressão: um escândalo político, em seu onto de vista,implica necessariamente uma violação de um processo devido (regras e procedimentos legalmente obrigtórios que governam o exercício do poder político).

É apenas nas democracias liberais que os escândalos políticos podem se dar. Pois colocam grande ênfase no processo devido: pela exaltação dovalor do processo, elas procuram resolver o confito potencial entre individualismo e liberdade pessoal, por um lado, e a necessidade de o estado exercer determinado grau de poder impessoal, de outro lado.

Muitos escândalos que envolvem figuraspolíticas não são, fundamentalmente, escândalos políticos. Escândalos sexuais e financeiros não são escândalos políticos, a menos que envolvam determinado abuso do poder às custas dos processos e dos procedimentos.

Thompson- No entanto, abusos de poder podem formar as bases de alguns escândalos políticos, mas não são as únicas razões pelas quaisos escândalos políticos podem ocorrer. Os abusos de poder são uma forma de escândalo político - escândalos do poder - mas não são a única forma. Há também escândalos políticos baseados na revelação de transgressões sexuais ou irregularidades financeiras.

Se os escândalos políticos podem se basear em considerações outras que a busca de poder às custas dos processos, podemos aceitar a possibiliddade de escândalos políticos ocorrerem em regimes de vários tipos. Mas, os escândalos políticos parecem ser bem mais comuns em democracias liberais do que nos regimes autoritários ou em estados de partido único, por quê?

A política numa democracia liberal é um campo de forças competitivas que são oranizadas e mobilizadas através de partidos e outros grupos de interesse. Isso cria uma atmosfera tensa em que o conflito e a confrontação são a norma; um se preocupa em atacar o outro. Assim, o escândalo pode ser uma arma poderosa.

Demonstrar que um opositor político transgrediu uma norma moral que deve ser cumprida pode ser um meio de desacreditá-lo. Na democracia liberal, a reputação significa muito. Uma mancha à reputação de alguém, devido a um escândalo, é um risco que os líderes políticos ouaspirantes a líderes, devem evitar.

Outro fator que torna a democracia liberal propensa é a relativva autonomia de imprensa. Mas sabemos que as instituições da mídia geralmente operam dentro de um referencial regulador establecido pelo estado e que podem estar sujeitas a várias formas de pressão.

Poder simbólico e o campo político

O escândalo político é um escândalo que envolve indivíduos ouações que estão situados dentro de um campo político e que têm um impacto nas relações dentro do campo. É o campo político que caractriza um escândalo político.

Um campo é um espaço estruturado de posições sociais cujas propriedades são definidas principalmente pelas relações entre essas posições e pelos recursos ligados a elas. Campo político é o campo de ação e interação que tem a ver com a aquisição e exercício do poder politico. Poder político é uma forma de poder, assim como o poder econômico, poder coercivo e poder simbólico.

O poder político estáinteressado na coordenação de indivíduos e na regulação de seus padrões de interação. A capacidade de um estado de exigir autoridade geralmente depende da sua capacidade de exercer duas formas de poder (poder coercivo e poder simbólico), ou seja, o uso concreto e ameaçador da força física a fi de apoiar o exercício do poder político.

Poder simbólico?

Capacidade de intervir no curso dos acontecimentos, de influenciar as açoes e crenças de outros e também, de criar acontecimentos através da produção e transmissão de formas simbólicas.

Campo político: é o campo de ação e interação que está ligado à aquisição e ao exercício do poder através do usodopoder simbólico entre outras coisas. Todo aquele quequiser conquistar poder político ouexercê-lo de uma maneira duvrável e efetiva deve também usar o poder simbolico para cultivar e sustentar a crença na legitimidade.

Os representantes políticos estão ligados a um campo político mais amplo de cidadãos a quem devem restar contas de algum modo e de cujo apoio dependem de tempos em tempos. Para conseguiro apoio eles devem persuadir, cultivar a crença na legitimidade da política, mobilizar compromissos, estabelecer ou renovar elos de confiança.

Relação entre campo político e a mídia:

Com o desenvolvimento da mídia, as relações entre políticos e não-profissionais passaa ser constuída cada ve mais atrvés dessas formas abertas de comuniação midiática. cada vez mais a a mídia se torna a arena decisiva em que as relações entre políticos e não-profissionais do campo político mais amplo são criadas, sustentadas e até destruídas.

Políticos necessitam de mídia para divulgar imagens favoráveis de si mesmos e de suas políticas, enquanto que os jornalistas dependem dos políticos e outras formas oficiais para propiciarum fluxo regular de notícias. Os políticos tendem a monitorar de perto a cobertura da midia sobre suas ações e falas, e cada vez mais tentam estruturá-las tendo cuidado com a informação e as imagens que se tornam disponíveis e fornecendo referências para a inerpretação dos acontecimentos.

Os indivíduos que agem dentro do campo político dependem crucialmente do uso do poder simbólico para persuadir e influenciar os outros e para articular o curso dos acontecimentos. O poder simbólico é vital no campo político, pois todo o que quiser conseguir poder político e exercê-lo de um modo durável deve usar poder sibólico para garantir o apoio de outros. E a capacidade de exercer poder si´mbólico depende de seu prestígio acumulado, sua reputação e respeito.

O escândalo pode esvaziar o capital simbólico do qual o exercício do poder político depende. Sua reutação e bom nome, e o respeito atribuído a eles por outros políticos e pelo público em geral. Destruir ouprejudicar sua reputação é destruir ouprejudicar sua credibilidade e, com isso, enfraquecer ou frustrar sua capacidade de persuadir e influenciar outros, de assegurar um elo de confiança e de transformar suas palavras em fatos.

A maioria dos escândalos politicos, nas sociedades democráticas liberais hoje, são escândalos políticos midiáticos. Mesmo se um escândalo surja primeiro como um escândalo político localizado, inicialmente restrito a onterações dentro de umsubcampo político, é muito difícil restringí-lo ao nível local: é provável que seja descoberto pela midia e transformado em um escãndalo que se desdobre no campo político mais amplo.

a divulgação de transgressões pode questionar a reputação e o bom nome do indivíduo, destruindo assim (ou ameaçando destruir) os recursos simbólicos que eles acumularam cuidadosamente e minar ou ameaçar seu poder. Sendo a mídia o meio mais importante pelo qual os líderes políticos se relacionam com os cidadãos comuns, os líderes políticos usam a mídia para construir um estoque de capital simbólico diante do eleitorado: e esse fato ao propriciar a eles, por sua vez, uma base de apoio popular, lhes dá poder no subcampo político. As reputações podem ser atngidas ou mesmo destruídas.

Por que o escândalo político é mais predominante hoje?

Como podemos explicar a crescente predominância do escândalo político em algumas democracias liberais modernas?

Isso é devido ao declínio dos padrões morais dos líderes políticos. Os políticos estão mais propensos ao escândalo porque um comportamento que eria sido erdoado no passado tem mais probabilidade de ser censurado hoje. A aceitação de presentes ou benefícios pessoais, por exemplo, teria sido perdoada em alguns contextos do passado, mas é ´provável que seja condenada em muitos contextos atuais.

Mudanãs que subjazem à crescente prevalência do escândalo político:

1- a crescente visibilidade dos líderes políticos

O desenvolvimento dos meios de comunicação criou um novo tipo de visibilidade quepossibilitouaos líderes políticos que se apresentassem diante de outros situados em contextos distantes. O campo político foi se constituindo como campo midiático, no qual a visibilidade midiática dos líders políticos se tornou sempre mais importante em que as relações entre lideres políticos e cidadãos comuns foram crescentemente moldadas pelas formas midiáticas de comunicação.

A crescente visivilidade dos lideres políticos crioucondições que fizeram crescer a possibilidade de escândalo político. Os líderes políticos sabem que eles devem usar a mídia como um meio de conseguir visibilidade no campo político. Mas a visibilidade midiática pode ser uma armadilha. Quanto mais visíveis eles forem, maisvulneráveis eles se tornam, pois, mais visibilidade irá gerar maisinteresse da parte da mídia.

Os líderes políticos poderão querer controlar as maneiras como eles aparecemna mídia, mas tornam-se cada vez mais difícil a eles prevenir a divulgação de informações ou imagens potencialmente prejudicais. A visibilidade midiática pode facilmente escapar ao seu controle e pode vvoltar-se contra eles.

2- mudança nas tecnologias de comunicação e de vigilância

A visibilidade é difícil de ser controlada justamente pela evolução da tecnologia da comunicação (gravações secretas, fotografias a longa distância).

3-mudança na cultura jornalística

Jornalismo investiggativo, busca de segredos ocultos.

4- mudança na cultura política

Declínio da política baseada em partidos classistas, em que os partidos com sistemas de crenças opostas, representando os interesses das diferentes classes sociais se defrontam na arena política.

Os partidos não contam mais com as antigas classes sociais que antes forneciam base para o seu apoio eleitoral. Os partidos lutam para conquistar o apoio de uma parcela de eleitores não comprometidos - que têm menos probabilidade de passarem de uma geração a outra e que mais provavelmente irão tomar suas decisões baseados nas opções eles oferecidas.

Há uma crescente importância na política da confiança. As pessoas passam a se preocupar mais com o caráter dos indivíduos que são ou serão seus líderes e com sua confiabilidade. Essa mudança na culturapolítica ajudou a dar ao escândalo uma importância maior na vida polítivca hoje.

5- crescente regulamentação da vida política

A crescente visibilidade dos líderes políticos, as mudanças nas tecnlogias de comunicação e vigilância, a mudança na cultura jornalística e a mudança na cultura política contribuiram para a crescente prevalência do escãndalo na vida política.

Culturas políticas do escândalo

O escândalo político se tornou uma característica endêmica de nossa cultura política contemporânea e é considerado como tal. Não há uma cultura olítica de escãndalo, mas uma pluralidade de culturas políticas do escândalo, cada uma delas caracterizada por suas próprias radições distintivas, seu próprio estoque de procedimentos e memórias coletivas e seu conjunto de convenções e expetcativas constantemente em mudança.

O escândalo se tornou um risco inerente à profissão dos que transitam pelo espaço público. Partidos, governos e líderes políticos pouco desenvolvem estratégias para minimizar o risco do escãndalo.

O ciclo do escãndalo faz nascer um tipo de cansaço, um tipo de exaustão de escândalo. Mas defendo que a ocorrência de escândalo político, nos dias de hoje, não é um acontecimento isolado e que as maneiras como um escândalo político surge e se desenvolve e o próprio fato de ele surgir, são condicionadas pelo conjunto espécífico de convenções e expectativas que definem essa forma cultural.




segunda-feira, 21 de abril de 2008

TEORIA POLÍTICA - ESPETÁCULOS DA POLÍTICA - Delitos estéticos - espetáculos da política e da televisão

Autor: Weber, Maria Helena
Comunicação e espetáculos da política
2000 (pg. 29 - 47)

Política e televisão são espetáculos causadores de conflitos mais estéticos do que sociais ou políticos.
Política e televisão são dois poderosos discursos marcados pela passionalidade da argumentação e da persuasão, exigindo do receptor apoio, compreensão e votos. Política e televisão precisam expressar seus compromissos sociais.
A política precisa mostrar sua ação, honrar os votos e ser vista para além das suas promessas, e parecerá distante da realidade se não for adotada pelas mídias.
Poderosos ou "poderes" são os poderes da política e das mídias quando disputam olhos, votos e pontos de audiência.
A configuração da política e da televisão como espetáculos está determinada pela singularidade e poder do discurso político e do discurso televisivo, ambos em busca de apoio e aprovação: votos ou pontos.
A obrigatoriedade de veiculação de horário político reside no entendimento de que o rádio e a televisão são veículos insubstituíveis na irradiação de informações e saberes para o povo brasileiro.
As instituições políticas investem dinheiro e táticas para aproveitar ao máximo esse tempo, aliando-se a grandes produtores e especialistas em marketing, imagem e política para estruturar um espetáculo político e disputar a imaginário nacional.
A política possui um discurso complexo que necessita de interpolação, identidade e precisa construir sujeitos com a mesma visão de mundo, pois reinvindica o poder. Assim, o discurso político precisa explicitar e fortalecer, argumentos que justifiquem sua luta pelo poder. O discurso das mídias, ao contrário, raramente reinvindica ou explicita posições, transmitindo a idéia de "estar a serviço", "longe do poder" e imbuído de "neutralidade" na mediação dos fatos.
Espetáculo político editorial
Quando textos, fatos ou sujeitos da política são escolhidos, valorados ou editados pelas mídias ou são, simplesmente, veiculados como informação ou propaganda dentro da sua programação, são os microespetáculos do cotidiano político. É a política editada como notícia, entrevista. O tratamento dado aos políticos, partidos e aos poderes é indicador do interesse das mídias. Em busca desta adoção, as mídias são transformadas em terreno de permanente disputa.
Audiências, votos e pontos no IBOPE mostram a dependência e o quanto o público legitima, subscreve e ratifica o discurso sempre previsível das mídias. A televisão realiza as mais importantes mediações entre contemporaneidade (tempo), conhecimento (saber) e relacionamento com o mundo (proximidade), mais do que poderiam as instituições políticas.
Espetáculo político articulado
Caracteríza-se como eventos políticos obrigatórios que alteram a abordagem trivial da política, como eleições, plebscitos, Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPIs) etc. Trata-se de uma situação conjuntural com poder de provocar a estética e a participação das mídias.
Nesta perspectiva, as mídias se promovem e fazem a própria publicidade, veiculando e promovendo suas adoções e apoios.
As mídias exercitam seu marketing mostrando sua rapidez, seu poder de cobertura, seus profissionais, seus equipamentos e sua dedicação à causa. A apuração dos votos e a divulgação de pesquisas marcam o espetáculo político articulado; uma articulação benéfica à sociedade e determinada pelo interesse das mídias cujo movimento incide de forma significativa na decisão do cidadão.
O espetáculo político articulado existe a partir da dramaturgia televisiva, ensaiado e maquiado a partir dos padrões, do tempo e do espaço televisivo, e situa-se próximo ao espetáculo cotidiano, porque uma eleição é transformada em notícia diária.
Espetáculo político autônomo
Da mesma forma que altera o olhar da sociedade e o modo de agir, a política interfere na programação e na sua linearidade.
São espetáculos políticos autônomos que provocam ansiedades, individuais e coletivas, e exigem participação, soluções e, ao mesmo tempo, distanciamento. Provocam avaliações e ordem ética e profissional porque extrapolam o cotidiano e a conjuntura do fato político. Da diagramação à postura dos âncoras e repórteres, da neutralidade às palavras de ordem, tudo parece mudar e alterar as mídias e sua audiência.
Espetáculo político arbitrário
De veiculação arbitrária à decisão empresarial e editorial das mpidias. Neste espetáculo, instituições, partidos e sujeitos políticos são personagens da propaganda e do marketing.
Argumentos sobre o tema mudança, sobre a diferença ideológica de partidos, sobre realizações e intenções governamentais, exigindo escolhas do receptor, que também faz parte da enunciação, como objetivo e como sujeito.
Na propaganda eleitoral, o espetáculo político arbitrário é determinado pela necessidade das eleições. Os candidatos têm espaço garantido e, junto aos partidos, fazem o movimento de construção das identidades particulares, regionais e nacionais. O espetáculo fica por conta destes que expões, impõem e justificam projetos e intenções - passados, presentes e futuros.
Todas as técnicas e aliados da publicidade e da televisão são chamados para causar os efeitos desejados, especialmente o voto.
O jogo das câmeras, as cores, os efeitos multimídias, o tempo de programação formam o conhecido espetáculo da televisão, síntese de todos os dircursos a partir do seu.
A cena inacabada
Temos a televisão como padroeira da informação, do lazer, da (des)qualificação da política ao exercitar seu mecanismo de sedução e seu poder pedagógico.
As regras do discurso político estão situadas no campo das estratégias ideológicas e imagéticas e assim disputam o olhar do telespectador. Inerente à disputa do voto está a ilocução marcada pelo modo de persuadir, informar, impressionar, conduzir e propor. A argumentação promove o envolvimento do opositor e do sujeito ouvinte, cidadão, consumidor e eleitor. Assim, a interferência da televisão no discurso político se dá como cenário e como espaço de conflito político ou estético.
O discurso da política é oposto ao discurso televisivo, pois a sedução não lhe é inerente. Sua coerência está na possibilidade de explicitar, de esgotar sua comunicação com romessas em direção a vontades coletivas, objetivos sociais, segurança, estabilidade, com o desafio de transmitir confiança, verdade, tranquilidade, integridade, dignidade, motal, etc.
Aula:
Os políticos buscam visibilidade para conseguir legitimidade
Busca visibilidade via processos comunicacionais
Busca legitimidade para estar de acordo com os padrões estéticos da sociedade.
A vesrão é mais importante que a realidade dos fatos
O que vale é Parecer ser
- devemos ter uma identificação, identidade parecida, próxima da imagem que temos. Assim, não somos desmascarados e não há esforços para construir uma imagemrepresentação do que devemos parecer.
Identidade = eu sou
Imagem = o que eu quero ser (imagem física, é uma linguagem, um conceito)
Construção da imagem-conceito
Idealizo a imagem que quero passar
Defino estratégias para passar ao público de interesse
O lugar da construção da imagem:
A imagem é construída na imagem no cérebro do receptor.
A imagem é mental, simbólica (representa alguma coisa), sintetiza o que representa.
Auto-imagem ideal + Identidade
- planejamento: configurações significativas
- estímulos, estratpegias de comunicação - construção da imagem
- público-alvo
= imagem conceito atribuída