Livro: Comunicação e Política (Antonio Albino) - capítulo Imagem Pública
Maria Helena Weber
A imagem pública é construída entre certezas e dúvidas do espectador em relação Pa informação e seu autor. A constituição da imagem pública é mantida como fator vital à visibilidade e reconhecimento de instituições e sujeitos da política. São imagens geradas na esfera da "política estetizada", onde sujeitos e onstituições se comparam e são comparados.
Os discursos da política serão sempre persuasivos, sustentados por argumentação. A política mostra partes convenientes esperando produzir apoio, votos e opinião. A imagem pública dos sujeitos políticos vai sendo formada individual e simultaneamente a partir da combinação das representações visuais e das representações mentais.
A visibilidade política se dá através das mídias (suportes de fabricação e difusão das imagens). A importância da sua veiculação depende do lugar ocupado pelo político e do grau de responsabilidade social.
AÇÕES DE INSTITUIÇÕES E SUJEITOS POLÍTICOS = INFORMAÇÃO DE INTERESSE PÚBLICO = PARTICIPAÇÃO DA MÍDIA = REPERCUÇÃO PÚBLICA
As informações e ações de instituições e sujeitos públicos, sendo públicas, são informações de interesse público. A repercução é pública, é desencadeada pelas mídias, adversários, grupos sociais, indivíduos, através da veiculação de suas opiniões e imagens sobre a ação do sujeito político.
Tudo se dirige ao espectador, sujeito principal do processo de formação da imagem. A credibilidade depende da legitimidade de quem fala, do seu lugar de fala, do poder que lhe foi atribuído e da imagem sobre esta legitimidade, construída estrategicamente.
Política especular
A busca de uma visibilidade norteia o poder da comunicação. A imagem é sempre intermediada. Todos os sujeitos políticos cobiçam a aprovação pública.
A intervenção contínua de redes de comunicação midiática mantém a visibilidade política (o espetáculo).
A imagem pública é uma estratégia de visibilidade de resultados. Cada instituição e sujeito político mantém um sistema estratégico com objetivo de conquistar a produzir opiniões públicas e privadas, apoio, adesões e votos.
A política de imagem é um fenômeno que transforma a arena política numa competição pela produção de imagens dos atores políticos, pelo controle de modo de sua circulação na esfera pública, pelo seu gerenciamento nos media e pela sua conversão em imagem pública.
A persuasão política depende menos da argumentação do que daquilo que é manifestado espetacularmente e se faz pela difusão cotidiana de imagens onde o pder passa a dispor das aparências.
O modo depordução de imagens políticas modificou o modo de fazer política.
Máscaras públicas
A associação entre política e imagem traz à tona a idéia do carisma weberiano. As relações entre poderes políticos, econômicos e midiáticos, assim como a celebração da aparência, reduziram o carisma à capacidade de convencimento.
Como homem detentor de alguma verdade e habilitado a exercer o poder da representação, o homem político é um homem de honra que se torna vulnerável às suspeitas, calúnias e escândalos. A pessoa individual anula-se em proveito de uma pessoa moral ou daquilo que é representado.
Lapidar a imagem píblica é necessidade de quem busca aprovação e repercução e está entre duas realidades: a auto-imagem e a imagem desejada; a outra, a imagem percebida (que será avaliada pelas pesquisas).
Todas as imagens são fabricadas. A imagem pública começa a ser construída nas informações persuasivas emitidas pelos sujeitos públicos a respeito de seus projetos e suas necessidades, na forma de "imagem desejada". Termina de ser construída por aqueles que a recebem - o resultado é a imagem percebida.
Todas as instituições e sujeitos que disputam os espaços públicos e votos são vulneráveis a julgamentos, curiosidades, expectativas e, portanto, passíveis de formação de opiniões, imagens e dúvidas.
Sujeitos e instituições que disputam espaços e representação pública têm sua imagem mantida através de mediações (comunicação direta com seus públicos) e midiatizações (comunicações atravessadas pelas mídias).
IDENTIDADE DA INSTITUIÇÃO E DO SUJEITO QUE DESEJAM UMA IMAGEM
Não se constrói uma identidade: é possível, sim, fortalecer ou obscurecer determinados aspectos.
Para obter uma imagem pública favorável, cada objetivo será pensado como ação estratégica entre o político e o público-alvo. O objetivo é evidenciar suas diferenças e qualidades em relação so outro partido/candidato.
Mesmo planejada estrategicamente, a circulação de discursos e imagens foge ao controle do emissor e dependem da mídia que tem o poder de tornar visível e ocultar verdades e realidades. A adoção de um sujeito ou instituição pelas mídias traz resultados e provoca a opinião pública.
Dessa forma, o tempo da política é determinado pelo tempo midiático. A versão também depende da mídia, que divulga conforme seu ponto de vista ou dos seus patrocinadores.
As mídias organizam e hierarquizam as informações e imagens. A primeira página, programas de debates, o tempo e o espaço destinados irão influenciar a formação das opiniões. O aprofundamento da questão, as grandes reportagens e coberturas dependerá das vinculações políticas da empresa e de seus interesses mercadológicos.
Os sujeitos políticos têm sua qualidade aferida pela opinião pesquisada e a valoração obtida junto às mídias. Cada vez mais as atitudes políticas são justificadas pelo índice percentual obtido em pesquisa.
(DES) CONSTRUÇÃO DA IMAGEM PÚBLICA
Quem disputa o oder pretende controlar o modo de ver e o de ser visto. Utilizam a persuasão no discurso para capturar a mídia, que reproduzirá e para capturar o indivíduo, que opinará. Tudo depende do conceito, da campanha, o qual será tornado visível para seduzir, para convencer, através de slogans, marcas visuais, eventos, material publicitário e informativo, ocupações de espaços na mídia. Além disso, contribuem para a constituição de imagens do sujeito político inúmeros fatores de ordem discursiva, combinados individualmente, qualificando a instituição positiva ou negativamente.
Sujeitos políticos dependem da imagem pública e as informações que a constituirão estão vinculadas à demarcação das diferenças, das qualidades do sujeito político em relação aos outros. Poderá ser próxima à imagem desejada quando forem acionados os especialistas e as técnicas de produção e circulação de mensagens estratégicas sobre seu projeto.
Poderá ser uma imagem distante da desejada quando as referenciais são produzidas em outros lugares, em redes de circulação de imagens, onde a disputa é permanente. Assim, a imagem formada sobre uma instituição ou sujeito político é um processo contínuo e alterado de construções e desconstruções.
É do olhar do espectador que sujeitos e instituições dependem para a formação de imagem e publicação de resultados. Trabalhar com a imagem pública significa entender que a sua construção se dá na mesma proporção de sua desconstrução.
A cobiça por uma imagem pública favorável sintetiza o movimento da política contemporânea, que faz da sua mediação indicador de qualidade, credibilidade, nas disputas de manutenção e conquista de poder.
A credibilidade da política está diretamente associada à credibilidade da mídia. Instituições e sujeitos políticos desejam ser adotados e defendidos pelas mídias para que possam capturar as opiniões.