segunda-feira, 21 de abril de 2008

TEORIA POLÍTICA - ESPETÁCULOS DA POLÍTICA - Delitos estéticos - espetáculos da política e da televisão

Autor: Weber, Maria Helena
Comunicação e espetáculos da política
2000 (pg. 29 - 47)

Política e televisão são espetáculos causadores de conflitos mais estéticos do que sociais ou políticos.
Política e televisão são dois poderosos discursos marcados pela passionalidade da argumentação e da persuasão, exigindo do receptor apoio, compreensão e votos. Política e televisão precisam expressar seus compromissos sociais.
A política precisa mostrar sua ação, honrar os votos e ser vista para além das suas promessas, e parecerá distante da realidade se não for adotada pelas mídias.
Poderosos ou "poderes" são os poderes da política e das mídias quando disputam olhos, votos e pontos de audiência.
A configuração da política e da televisão como espetáculos está determinada pela singularidade e poder do discurso político e do discurso televisivo, ambos em busca de apoio e aprovação: votos ou pontos.
A obrigatoriedade de veiculação de horário político reside no entendimento de que o rádio e a televisão são veículos insubstituíveis na irradiação de informações e saberes para o povo brasileiro.
As instituições políticas investem dinheiro e táticas para aproveitar ao máximo esse tempo, aliando-se a grandes produtores e especialistas em marketing, imagem e política para estruturar um espetáculo político e disputar a imaginário nacional.
A política possui um discurso complexo que necessita de interpolação, identidade e precisa construir sujeitos com a mesma visão de mundo, pois reinvindica o poder. Assim, o discurso político precisa explicitar e fortalecer, argumentos que justifiquem sua luta pelo poder. O discurso das mídias, ao contrário, raramente reinvindica ou explicita posições, transmitindo a idéia de "estar a serviço", "longe do poder" e imbuído de "neutralidade" na mediação dos fatos.
Espetáculo político editorial
Quando textos, fatos ou sujeitos da política são escolhidos, valorados ou editados pelas mídias ou são, simplesmente, veiculados como informação ou propaganda dentro da sua programação, são os microespetáculos do cotidiano político. É a política editada como notícia, entrevista. O tratamento dado aos políticos, partidos e aos poderes é indicador do interesse das mídias. Em busca desta adoção, as mídias são transformadas em terreno de permanente disputa.
Audiências, votos e pontos no IBOPE mostram a dependência e o quanto o público legitima, subscreve e ratifica o discurso sempre previsível das mídias. A televisão realiza as mais importantes mediações entre contemporaneidade (tempo), conhecimento (saber) e relacionamento com o mundo (proximidade), mais do que poderiam as instituições políticas.
Espetáculo político articulado
Caracteríza-se como eventos políticos obrigatórios que alteram a abordagem trivial da política, como eleições, plebscitos, Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPIs) etc. Trata-se de uma situação conjuntural com poder de provocar a estética e a participação das mídias.
Nesta perspectiva, as mídias se promovem e fazem a própria publicidade, veiculando e promovendo suas adoções e apoios.
As mídias exercitam seu marketing mostrando sua rapidez, seu poder de cobertura, seus profissionais, seus equipamentos e sua dedicação à causa. A apuração dos votos e a divulgação de pesquisas marcam o espetáculo político articulado; uma articulação benéfica à sociedade e determinada pelo interesse das mídias cujo movimento incide de forma significativa na decisão do cidadão.
O espetáculo político articulado existe a partir da dramaturgia televisiva, ensaiado e maquiado a partir dos padrões, do tempo e do espaço televisivo, e situa-se próximo ao espetáculo cotidiano, porque uma eleição é transformada em notícia diária.
Espetáculo político autônomo
Da mesma forma que altera o olhar da sociedade e o modo de agir, a política interfere na programação e na sua linearidade.
São espetáculos políticos autônomos que provocam ansiedades, individuais e coletivas, e exigem participação, soluções e, ao mesmo tempo, distanciamento. Provocam avaliações e ordem ética e profissional porque extrapolam o cotidiano e a conjuntura do fato político. Da diagramação à postura dos âncoras e repórteres, da neutralidade às palavras de ordem, tudo parece mudar e alterar as mídias e sua audiência.
Espetáculo político arbitrário
De veiculação arbitrária à decisão empresarial e editorial das mpidias. Neste espetáculo, instituições, partidos e sujeitos políticos são personagens da propaganda e do marketing.
Argumentos sobre o tema mudança, sobre a diferença ideológica de partidos, sobre realizações e intenções governamentais, exigindo escolhas do receptor, que também faz parte da enunciação, como objetivo e como sujeito.
Na propaganda eleitoral, o espetáculo político arbitrário é determinado pela necessidade das eleições. Os candidatos têm espaço garantido e, junto aos partidos, fazem o movimento de construção das identidades particulares, regionais e nacionais. O espetáculo fica por conta destes que expões, impõem e justificam projetos e intenções - passados, presentes e futuros.
Todas as técnicas e aliados da publicidade e da televisão são chamados para causar os efeitos desejados, especialmente o voto.
O jogo das câmeras, as cores, os efeitos multimídias, o tempo de programação formam o conhecido espetáculo da televisão, síntese de todos os dircursos a partir do seu.
A cena inacabada
Temos a televisão como padroeira da informação, do lazer, da (des)qualificação da política ao exercitar seu mecanismo de sedução e seu poder pedagógico.
As regras do discurso político estão situadas no campo das estratégias ideológicas e imagéticas e assim disputam o olhar do telespectador. Inerente à disputa do voto está a ilocução marcada pelo modo de persuadir, informar, impressionar, conduzir e propor. A argumentação promove o envolvimento do opositor e do sujeito ouvinte, cidadão, consumidor e eleitor. Assim, a interferência da televisão no discurso político se dá como cenário e como espaço de conflito político ou estético.
O discurso da política é oposto ao discurso televisivo, pois a sedução não lhe é inerente. Sua coerência está na possibilidade de explicitar, de esgotar sua comunicação com romessas em direção a vontades coletivas, objetivos sociais, segurança, estabilidade, com o desafio de transmitir confiança, verdade, tranquilidade, integridade, dignidade, motal, etc.
Aula:
Os políticos buscam visibilidade para conseguir legitimidade
Busca visibilidade via processos comunicacionais
Busca legitimidade para estar de acordo com os padrões estéticos da sociedade.
A vesrão é mais importante que a realidade dos fatos
O que vale é Parecer ser
- devemos ter uma identificação, identidade parecida, próxima da imagem que temos. Assim, não somos desmascarados e não há esforços para construir uma imagemrepresentação do que devemos parecer.
Identidade = eu sou
Imagem = o que eu quero ser (imagem física, é uma linguagem, um conceito)
Construção da imagem-conceito
Idealizo a imagem que quero passar
Defino estratégias para passar ao público de interesse
O lugar da construção da imagem:
A imagem é construída na imagem no cérebro do receptor.
A imagem é mental, simbólica (representa alguma coisa), sintetiza o que representa.
Auto-imagem ideal + Identidade
- planejamento: configurações significativas
- estímulos, estratpegias de comunicação - construção da imagem
- público-alvo
= imagem conceito atribuída

Um comentário:

Dublê disse...

Oi Camila,
Muito boa a tua iniciativa de fazer um blog de síntese de conteúdos, com certeza irá ajudar muita gente na prova do Rudimar!
Parabéns!
Gino